Lindo, né?
E vamo que vamo, que a luta é árdua!!!
Myrian Rios disse querer não ter o direito de contratar uma babá lésbica para tomar conta de suas filhas (imaginárias), e de não contratar um gay para ser motorista dos seus filhos (esses reais). Acho válido, já que ela acredita que ser homoafetivo é coisa do capeta, e ela é católica fervorosa e acredita em um monte de coisas que eu não acredito, mas procuro respeitar. Eu acho que ela tem todo o direito de não contratar pra trabalhar na casa dela quem age com uma ‘conduta’ que ela, contratante, considera inadequada, e explico: eu, Juliana, agnóstica, nunca, jamais, em tempo algum, colocaria dentro da minha casa, para trabalhar, alguém que fosse homofóbico, racista, classista, sexista ou que tenha qualquer outro comportamento que eu não tolere (fundamentalistas religiosos, por exemplo). Eu não concordo que homoafetividade seja coisa do capeta, até porque eu nem acredito em capeta, mas a religião dela diz que é assim, e não sou eu que vou me meter nessas questões de fé. Cada um acredita no que quer, e tem o direito de escolher, por questões pessoais, quem vai trabalhar dentro de casa. O que pegou foi a argumentação preconceituosa e cruel.
Vamos ao que interessa no discurso da deputada:
“Vou me posicionar de uma maneira muito franca e direta. Digamos que eu seja mãe de duas meninas e eu contrate uma babá e essa babá mostra que a orientação sexual dela é ser lésbica. É opção dela. Ela escolheu, ela é livre. E tenho duas meninas em casa que ela está cuidando. Se a minha orientação sexual não for essa, for contrária, e quiser demiti-la, eu não posso, pois vou estar enquadrada nessa PEC. Vou estar enquadrada como preconceituosa e discriminadora. São os mesmos direitos. O direito que a babá tem de se manifestar na orientação sexual dela como lésbica, eu tenho como mãe de não querê-la na minha casa como babá de minhas filhas. Dá-me licença? São os mesmos direitos. Só que com essa PEC-23 e com essa emenda, eu não tenho esse direito. Eu vou ter que manter a babá na minha casa, cuidando das minhas meninas e sabe Deus se ela não vai, inclusive, cometer a pedofilia com elas. Eu não vou poder fazer nada. Eu não vou poder demiti-la, porque está aqui: “ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado”. Eu quero essa liberdade para minha escolha e orientação sexual – também.”
Vamolá, minha tia, vou tentar ser didática, juro! Nem vou discutir a parte em que você diz “É opção dela. Ela escolheu, ela é livre”, porque eu juro que tô com preguiça (cansa repetir um milhão de vezes a mesma coisa).
Ok, você não vai poder dizer: sai daqui, sapata!, mas vai poder dizer: “sabe o que é, moça fofa, vou botar as meninas na creche e não preciso mais de babá.” Pronto! Demitiu a moça sem cometer crime nenhum. Simples assim!!! (ou você faria questão de destilar seu preconceito e humilhar a sapatona-do-capeta, dizendo que ela não merece falar com seus anjinhos e tal e coisa, hein? conta pra mim…)
Vamos ao trecho “cereja do bolo”:
“Eu vou ter que manter a babá na minha casa, cuidando das minhas meninas e sabe Deus se ela não vai, inclusive, cometer a pedofilia com elas. Eu não vou poder fazer nada. Eu não vou poder demiti-la”
Porra, deputada! (lá se foi a didática, mas eu juro que tentei), quanta imbecilidade numa frase só.
Pra começar, pedofilia não se comete. Pedofilia é, segundo a psicanálise, uma perversão sexual na qual adultos ou adolescentes maiores de 16 anos sentem atração sexual por crianças. É uma patologia, não um crime. Crime é a exploração e o abuso sexual de crianças, que pode ser cometido por pedófilos ou não (e eu tendo que explicar isso pra uma deputada, vai vendo – mas a didática voltou! \o/).
Agora, minha cara, vamos ao que interessa: de onde você tirou que uma lésbica, só pelo fato de ser lésbica, abusaria sexualmente das suas supostas filhas? Me dê dados, por favor, que provem que a homoafetividade da suposta moça que cuidaria das suas supostas filhas seria uma pedófila em potencial?
Prossigamos, tem mais uma cerejinha aqui:
“Se o rapaz escolheu ser homossexual o problema é dele. Eu o respeito como próximo, como ser humano. Nós vamos orar e clamar a Deus por ele, porque a salvação é para todos, e Deus é misericordioso. Não é isso? Ele escolheu ser homossexual; ser travesti. Eu o contrato para ser motorista e eu tenho dois meninos em casa. Ele começa então a vir trabalhar vestido de mulher, travestido, porque essa é a orientação sexual dele. Como mãe de dois meninos, opa, não é essa minha orientação sexual aqui em casa. Aqui em casa, gostaria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie, como está em Gênesis. Deus criou o homem e a mulher para perpetuarem a espécie. É uma orientação sexual que eu concordo; que eu vivo e formo meus filhos assim. Mas, se no momento em que eu descobrir que o motorista é homossexual e poderia estar de uma maneira ou de outra, tentando bolinar o meu filho… Não sei, pode de repente partir para uma pedofilia para com os meninos, não vou poder demiti-lo, porque a PEC-23 não me permite, porque causarei prejuízo a esse rapaz que tem orientação sexual homossexual. Mas, o direito não é para todos? Não está dizendo na Constituição, no art. 5º, que todos são iguais perante a lei? Eu quero a lei para mim também. Quero a lei para mim para demitir sim; para explicar que na minha casa a orientação sexual é outra.”
Nem todo gay, fofa, se traveste. Cêjura que não sabia? Pois é, pelo visto você tá sem saber de um monte de coisa, ou tá fazendo de boba pra disseminar preconceito e intolerância por aí.
Mas… olha… lá vem você de novo dizendo que o motorista viado-travesti-dos-infernos vai querer abusar sexualmente dos seus filhos porque, ora veja, ele é homoafetivo. E só por isso! Ainda tô esperando os dados sobre a babá lésbica. Seria muita crueldade pedir pra você me arrumar também os que provam que o motorista gay é um abusador de criancinhas em potencial?
Não tem, néam? Não existe nenhum estudo, nenhuma base de dados, nadica de nada que fundamente os seus argumentos, né verdade? O que me leva a crer que você fez a associação homoafetividade – pedofilia por pura crueldade e má-fé. Acertei? BINGOOOOO!
Agora, vamos imaginar que o motorista-viado-travesti-dos-infernos, de fato seja um pedófilo-praticante. MINHA FILHA, ABUSO SEXUAL DE MENOR É CRIME. QUALQUER PESSOA QUE ABUSAR SEXUALMENTE DE UMA CRIANÇA É UM CRIMINOSO E TEM QUE DENUNCIADO E PUNIDO!!! (tá, menos os padres, que geralmente ficam livres, leves e soltos, comendo criancinhas atrás de criancinhas, sob a tutela da igreja, néam? Oh, wait… a senhôura é católica, né? Deixa seus filhos sozinhos com padres? Oooooooooops!) Não reclama, tô entrando na sua onda de generalizar, ué! Não gostou? Pimenta nos olhos dos outros é refresco, é?
Não há PEC, nem PLC, nem porra nenhuma que proteja um criminoso, minha tia. Você sabe disso que eu sei. Você sabe que todo o seu discurso foi fundamentado em cima do seu preconceito, nada mais que isso. Tudo o que você quer, você e a sua turma, é poder continuar humilhando, agredindo, xingando essas pessoas, em nome de deus, de jesus ou sei lá de mais quem. Seu discurso é nojento, é rasteiro, é lixo.
“Deus abençoe a todos. Tenham todos uma boa tarde. Que o Espírito Santo possa hoje, nesta Assembleia, descer fazendo cair fogo do céu aqui.”
Em cima da sua cabeça, chamuscando seu cabelo todo? Eu acharia ó-te-mo! Cai, foguinho, cai! :P (Tá pensando o quê? Eu também sei ser ruim!!!)
E eu fui. Sozinha, mas fui. Confesso que a falta de companhia me deu um desânimo do cacete, mas eu não podia perder aquilo por nada. Vinte anos depois, Paul McCartney estava de volta ao Rio. Eu esperei 20 anos por isso. Há vinte anos papai prometeu que me levaria, mas não levou. Era hora de resolver essa frustração, né?
E quando eu desci do táxi, em frente à estação, e atravessei a passarela rumo ao Engenhão, pensava num monte de coisas, tudo ao mesmo tempo. Pensei em como eu queria que meu pai também estivesse ali comigo, me xinguei por não ter tido a ideia de comprar o ingresso dele no mesmo instante que comprei o meu, depois queria que o Ricardo estivesse do meu lado, porque ontem foi aniversário dele e eu fiquei muito triste por ele estar longe, depois eu lamentei a falta de amigos por perto, pra eu dividir a alegria que eu tava sentindo por poder ver, ao vivo, um beatle. O meu beatle preferido.
Cheguei três horas antes do show, fiz amigos de infância na fila, no banheiro, na arquibancada, e isso fez com que o tempo voasse. E durante essas três horas eu vi famílias inteiras chegando. Bem perto de mim havia uma turma de umas 30 pessoas. Vovô e vovó com todos os filhos e todos os netos, todos beatlemaníacos de carteirinha, e ansiosíssimos. Cantavam, pulavam, se abraçavam. E isso se via por todos os cantos do Engenhão. Pais explicando pros filhos o tamanho da emoção de estarem ali, o tamanho da expectativa.
Eis que ele entra no palco. E eu chorei pela primeira vez, depois pulei e dancei enlouquecida ao som de Magical Mystery Tour. Era ele, ali, na minha frente. Seria tão difícil segurar a emoção que eu nem tentei. ;)
Vi, no palco, além de um ídolo (que não é qualquer um, é um beatle, é O MEU BEATLE!), um homem que é dono de uma educação difícil de encontrar hoje em dia. A cada mudança de instrumento ele agradecia a pessoa que o passava pra ele, sempre perguntava se estava tudo bem, se estávamos gostando do show, e em português. É raro ver um gringo se preocupando em aprender a falar qualquer coisa da língua do país que visita quando vai fazer turnês internacionais, e ele fez isso. E falou em português o quanto conseguiu. Paul esbanjou simpatia durante as quase três horas que esteve no palco. E eu consegui amá-lo ainda mais depois disso.
Eu tive alguns momentos de grande emoção durante o show, e o maior deles foi quando ele cantou And I love her, que nem é a minha preferida, mas quando ele cantou a voz do Paul sumiu dentro da minha cabeça e eu só conseguia ouvir meu pai cantando. Daí chorei pacas, mas não paguei mico não. Os coroas perto de mim fizeram isso o show inteiro; chorando emocionada, ali, eu estava entre a maioria. ;) O que quase me matou é que logo depois o tio Macca entrou com Blackbird, e aí eu acho que faltou pouco pra eu soluçar de chorar.
Foi uma noite memorável. Foi uma noite que, nem que eu viva 100 anos, e tenha alzheimer, eu serei capaz de esquecer, mas que serei incapaz de descrever.
Eu ainda tô em estado de graça, ainda vivendo todas as emoções da noite de ontem, onde eu, durante todo o tempo, dizia: ‘Valeu, Paul. Obrigada, muito obrigada por ter voltado!!!’
E eu já prometi à muita gente e nunca que me lembrava de mandar a receita das famosas batatas recheadas que eu faço e que são o maior sucesso aqui em casa e por onde eu as levo. Como hoje eu as fiz no almoço, decidi fotografar todo o processo. Acompanhem, crianças:
Você vai precisar:
Modo de fazer:
Lave bem as batatas, porque elas serão cozidas e comidas com casca.
Depois de bem lavadas, faça alguns furinhos, para o sal entrar melhor na hora do cozimento.
Cozinhe-as na água com sal. Quando você conseguir enfiar a faca na batata sem nenhum esforço, deixe cozinhar por mais uns 5 minutos e ela estará no ponto.
Depois de cozidas, divida-as ao meio e faça um buraco para colocar o recheio.
Corte uma peça de bacon em cubinhos. O mínimo é 300g, mas você pode colocar mais. Quanto mais bacon, mais gostoso fica.
Frite o bacon até ficarem douradinhos. Depois, escorra o excesso de gordura, mas não toda. Aí é que entra o pulo do gato!
Jogue o Catupiry na mesma panela com o bacon frito, e mexa até que vire uma pasta bem molinha.
Recheie as batatas.
Feche as batas com palitos, para que elas não se soltem na hora de servir. (e avise a quem for comer que tem palito na bagaça!)
Faça isso com todas as batatas e coloque-as num pirex.
Coloque o que sobrou do requeijão com bacon por cima…
Cubra com papel alumínio e leve ao forno por 30 minutos.
Não tem foto do depois porque eu simplesmente esqueci de tirar. Mas descrevo: O catupiry derrete que é uma maravilha!!! Delicioso. Pode fazer, que eu garanto!
Sim, eu sou agnóstica! Sim, eu sou filha de Ogum!
Algum problema? Me deixa em paz com meu paradoxo! Cuida aí do seu que eu cuido aqui do meu!
SALVE, JORGE, OGUM GUERREIRO!
Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge.
Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem,
tendo mãos não me peguem,
tendo olhos não me enxerguem,
nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão,
facas e lanças se quebrem sem ao meu corpo chegar,
cordas e correntes se quebrem sem ao meu corpo amarrar.
Sem ter como ‘xingar muito no twitter’ (conto isso depois, ou não conto porra nenhuma, o que é mais provável), eu vou deixar aqui registrada o meu emputecimento com a política de venda de ingresso pro show do Paul McCartney. Já não consegui comprar pro dia 22/05, porque os ingressos se esgotaram antes que eu pudesse comprar, aí abriram show extra e eu tenho que esperar até amanhã, às 9h, pra comprar o ingresso do show do dia 23/05. Enquanto isso, os clientes do Bradesco (aquele banco horroroso, patrocinador do evento) estão enchendo o cu de ingresso. O Bradesco acha o quê? Que eu vou virar cliente deles só pra comprar ingresso pra show em pré-venda? Tão querendo me pressionar?
Só de raiva EU NUNCA VOU ABRIR UMA CONTA NESSA PORRA DE BANCO! Me irritei!
E se eu não conseguir ir ao show, como eu explico pro Francisco, daqui uns anos, que o Paul esteve no Brasil três vezes e eu não fui nenhuma? Fala pra mim? Pode isso? /o\
Desespero MODE ON!
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
Que ódio!!!! (não tô hiperbolizando, tô com ÓDIO mesmo)
